#GuiadeBolso: Viajando para Orlando sem Carro

Em posts anteriores do Guia de Bolso, dividi com vocês a minha experiência alugando e dirigindo um carro em Orlando. Em uma das perguntas, deixei clara minha dúvida em relação a passar os dias de férias na cidade da magia sem um veículo de 4 rodas. 

Durante todo o processo de planejamento, a opção de alugar um automóvel foi uma das últimas. Antes disso, pesquisei muito a respeito de transporte público e outras opções cabíveis que me permitissem não ter que ficar atrás de um volante. Ou tentei, pois foi extremamente difícil achar fontes confiáveis que falassem sobre viajar sem carro.

Havia sim, muitos posts e menções aos meios de transporte disponíveis em Orlando – desde transporte público até transfers oferecidos pelos hotéis -, mas poucos deles relatavam experiências propriamente ditas. Eram pessoas que sabiam a respeito da existência daquelas opções, mas nenhuma que realmente tivesse vivido o dia-a-dia utilizando uma ou todas as opções. 

Como vocês sabem, acabei por fim optando por alugar o carro – o que foi ótimo, principalmente por estar com a minha avó -, todavia, assim que soube que a Karen Alvares (autora incrível já citada na resenha de Horror em Gotas) iria para Orlando e não usaria carro fiquei doida de curiosidade e logo que ela voltou, pedi que respondesse uma lista de perguntinhas para tirar aquela dúvida que todos nós temos e que parece impossível de achar por aí. 

A Kaká super se empenhou e caprichou nas respostas, deixando tudo muito claro e completinho! E o mais importante: as claras, desmascarando aquela ideia de que que tudo “no estrangeiro” é melhor e mais funcional. 

Mais uma vez: obrigadíssima por nos ajudar a desvendar esse mistério, Kaka! E mostrar que é sim possível ir a Orlando sem carro e aproveitar o Mickey com tudo que temos direito. 

Se quiser saber mais, só continuar lendo…

FICHAKAKA
1. Motivos
– Por que vocês optaram por viajar sem alugar um carro?
Nós não temos carta! Nem eu, nem meu marido. Tirar carta é muito caro no Brasil e, como ainda optamos por não comprar um carro, resolvemos que só tiraremos carta quando tivermos em vista a possibilidade de um carro. E ter um carro também é muito caro, então… Na verdade, nós vivemos muito bem aqui no Brasil – em especial, em Santos/SP – sem carro. O transporte público na cidade é razoavelmente bom e há ciclovias por toda parte, portanto nós fazemos quase tudo de bicicleta, a pé ou de ônibus.
 
– Após decidir que não haveria carro no roteiro, qual foi a segunda decisão mais importante, na sua opinião?
Na verdade, o carro jamais esteve no roteiro, ele nunca foi uma variável na equação férias em Orlando. Acredito que a decisão mais importante foi escolher os parques e o hotel. Nós sempre soubemos que utilizaríamos transporte público, então a partir de fechada a viagem, foi apenas fazer uma boa pesquisa para descobrir rotas, itinerários etc.
 
2. Hotel
– A escolha do hotel foi baseada na disposição de transporte até os parques?
Somente a escolha da localização na International Drive, ou seja, do hotel ser lá. O restante da escolha do hotel foi baseada em preço e disponibilidade de café da manhã. Quando compramos o pacote aqui ficamos felizes em descobrir que o hotel tinha esse tipo de transporte, mas quando chegamos lá foi decepcionante e nós nem o utilizamos.
 
– Se sim, era gratuito? Você utilizou, para visitar todos os parques? Como foi a experiência?
O hotel tinha transporte gratuito, mas não o utilizamos em nenhum momento. Os horários eram poucos e alguns saíam muito tarde e/ou voltavam muito cedo, de maneira que preferimos ir sempre de transporte público também para os parques e ficarmos à vontade. Para ir e voltar da Disney, utilizamos o 08 e o 50; para a Universal, o 08 e o 37, todos da Lynx. Para a Legoland, que fica fora de Orlando, há um transporte próprio do parque que custa $ 10,00 e sai do Outlet da Vineland; nós pegamos o 08 da Lynx (mas poderíamos ter pego também o I-Ride Trolley) para ir até o Outlet e de lá pegamos o transporte. Recomendo para quem quiser utilizar visitar os sites das viações, pois o Google Maps não dá as informações corretas do trajeto e das linhas. Lynx: http://www.golynx.com/. I Ride Trolley: http://www.iridetrolley.com/
 
– E o transporte aeroporto-hotel-aeroporto, o hotel oferecia shuttle ou vocês fecharam algum tipo de transporte?
O hotel não oferecia shuttle. Nós utilizamos também o transporte público, a linha 42 da viação Lynx. O ônibus parte de dentro do aeroporto e pára em qualquer ponto da International Drive.
 
– A localização do hotel, além dos transportes fornecidos, foi importante também, considerando pontos de ônibus e proximidade a restaurantes, etc?
A localização do hotel era muito boa. Havia vários restaurantes próximos (como Burguer King, McDonalds, Dunkin’ Donuts, KFC, Red Lobster, Taco Bell, isso para falar só das redes conhecidas, mas havia também vários lanches em conta e um restaurante brasileiro com café da manhã e rodízio) e supermercados (7Eleven e Wallgreens) que nos serviram muito bem em nossa estadia. Quanto aos pontos de ônibus, a International Drive inteira é bem servida de pontos, com paradas bem próximas umas das outras.
 
– Se os hotéis Disney fossem mais em conta, acha que valeria a pena ficar em um deles ou não? Por que?
Valeria a pena sim, tanto pelo conforto, quanto pela facilidade de estar dentro da Disney e contar com o transporte gratuito dos parques. Também descobrimos que a Disney oferece transporte gratuito para a Universal (tipo… UAU! A Disney é uma MÃE!), o que facilitaria muito também. Mas uma coisa que poucos sabem é que dentro da Disney, onde encontram-se os transportes para o Magic Kingdom e o Epcot, também entram linhas de ônibus da Lynx; utilizamos muito a linha 50, que entra e saí da Disney. Somente duas vezes descemos na Downtown Disney ao invés de dentro da Disney, efetivamente: no dia do Animal Kingdom e no do Hollywood Studios, mas mesmo nesse segundo, nós voltamos para o hotel pegando o 50 no ponto do Magic Kingdom.
 
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Ônibus e ponto Lynk
3. Meios de transporte
– Vocês chegaram a utilizar táxi durante a estadia? Se sim, por que, para onde e o que acharam dos valores?
A única vez que utilizamos táxi foi no nosso segundo dia. Foi quando voltamos do nosso dia no Animal Kingdom + Downtown Disney. Ficamos na Downtown até tarde (mais ou menos umas onze da noite) e ninguém sabia nos informar se ainda havia linhas do Lynx nas ruas (pois é, as linhas simplesmente PARAM de circular depois de uma certa hora – absurdos como esse existem nos EUA). Com medo, acabamos pegando um táxi dali da Downtown Disney até o 7Eleven mais próximo do hotel na ID (para nos abastecermos de comidinhas); a corrida deu uns 27 dólares, já contando a gorjeta. Achei caro; não parece muito, mas quando se converte para reais fica salgado. No dia seguinte descobrimos que foi pura inexperiência e essa foi nossa primeira e última viagem de táxi em Orlando.
 
– Em minha pesquisa antes de viajar, vi que em Orlando existe a opção do iDrive, que leva os passageiros pela ID e também o Lynx, uma frota de ônibus que leva até os parques. 
– Vocês fizeram uso de algum destes meios de transporte? Se sim, poderia responder para cada um: 
     a. O que acharam? 
     Apenas uma correção: o Lynx é a viação de transporte público de Orlando, que faz o transporte não apenas até os parques, mas também para vários outros locais, inclusive o aeroporto e o centro da cidade. Além dos turistas, utilizamos o transporte juntamente com vários residentes da cidade, que estavam em sua vida comum, indo e voltando do trabalho, por exemplo. O que significa que, em certos momentos (especialmente no último ônibus do dia, após a meia-noite), deparamo-nos com problemas comuns que temos no Brasil, que às vezes as pessoas, equivocamente, acreditam serem privilégios nossos: coisas como fedor no ônibus, pessoas que não tomaram banho ou que “venceram o desodorante” e o famoso “cheiro de CC”. Também pegamos ônibus LOTADOS, com pessoas de pé saindo pelo ladrão. Estou frisando isso porque quero deixar bem claro que problemas existem em qualquer lugar, não apenas no nosso país.
     Há coisas boas (e melhores que aqui) e coisas ruins (iguais ou piores que aqui). Nos prós, posso dizer que todos os ônibus têm ar-condicionado e avisos eletrônicos e em alto-falantes das paradas solicitadas e também dos lugares onde nos aproximavam, além das opções de transferências: algo muito, muito útil. Utilizando a rede Lynx, é possível realizar transferências para qualquer linha, de forma ilimitada, apenas é necessário solicitar o tíquete logo ao se pagar a passagem. Isso é extremamente útil porque não há NENHUMA linha (e isso foi péssimo) que vá diretamente para a Disney ou para a Universal (e olha que a Universal era pertíssimo da International Drive e do ponto que nos localizávamos, se tivessem calçadas seria até possível ir a pé). 
     Agora, os pontos negativos. Em Orlando, você não recebe troco: ou traz o dinheiro trocado ou perde o valor. Eles utilizam uma máquina que recebe automaticamente as notas, mas ela não devolve troco (como assim? Uma simples máquina de Coca-Cola devolve troco!). Vimos um residente da cidade, por exemplo, que não tinha troco e teve que dar 5 dólares para entrar. Perdeu 3 dólares. E 3 dólares É MUITO.
     Outro GRANDE ponto negativo: há poucas linhas nas ruas, especialmente à noite (e depois de determinada hora, dependendo do lugar que você está, geralmente meia-noite/uma da manhã, as linhas PARAM). O resultado são pontos lotadíssimos e pessoas esperando por mais de uma hora por um ônibus, sejam turistas ou residentes. Uma espera de UMA HORA E VINTE MINUTOS é simplesmente inaceitável. No dia que fomos ao Epcot, pegamos na volta o 50, que pára na Sea World Harbor; ali descemos para realizar a transferência para o 08, que vai para a ID, isso foi mais ou menos umas dez e quarenta da noite. O 08 apareceu apenas meia-noite e 3. O transfer tem horário para expirar e, adivinhem: expirava meia-noite e um! O ônibus demorou quase uma hora e meia e nós perdemos a transferência, precisamos pagar novamente a passagem e fomos tratados com grosseria pelo motorista quando demonstramos nosso descontentamento (também existe falta de educação nos EUA – existe no mundo inteiro, pelo visto). No período em que aguardávamos o 08, passou outro 50 até. O ponto estava abarrotado de gente. Os táxis oportunamente passavam pelo local recolhendo as pessoas que desistiam de esperar. Ficamos com a sensação de que a empresa dava um transfer limitado, já sabendo que a linha não atendia, justamente porque era uma maneira de ganhar mais dinheiro: corrupção, descaso e oportunismo barato.
     Já o I-Ride Trolley transita apenas pela área da International Drive: acabamos utilizando-o apenas nos dias que visitamos os Outlets. O ônibus é enfeitado por dentro como um bondinho, mas é essencialmente um ônibus. Não é muito confortável. Não existe transfer.

 

– É importante dizer que é sim possível utilizar transporte público em Orlando: é TOTALMENTE viável. Você não precisa depender de carro ou de táxi para tudo, nem do transporte do hotel. Apenas vá sem ilusões de EUA e países de primeiro mundo, ilusões que nós, brasileiros, geralmente temos desses países: lá há problemas como em todo lugar. Você vai esperar, vai pagar caro por um transporte que não irá atender à toda demanda, o ônibus vai feder e encher em algum momento. Transporte público é transporte público em todo lugar. Não se iluda.
 
     b. Como eram possível utilizá-los e quanto custava?
     Ih, acho que eu acabei falando demais na pergunta acima e disse tudo. Resumindo: você pode pegar dois transportes públicos em Orlando, o Lynx e o I-Ride Trolley. Ambos custam 2 dólares, mas o Lynx tem as vantagens de oferecer transferência para outras linhas e atender a muitos mais lugares, já que o Trolley atende apenas a International Drive. O Lynx também é mais confortável. É importante ressaltar que há muitos pontos em Orlando, alguns atendem simultaneamente as duas viações, mas nem sempre. Às vezes os pontos são separados, nunca muito distantes, mas você tem que ficar ligado no trânsito se quiser pegar qualquer um dos dois e não apenas um deles. Outro detalhe importante é que há pontos em lugares inóspitos e isolados, portanto se você cair em um lugar assim, cuidado; em alguns pontos a cidade é MUITO mal iluminada. No entanto, se você se manter nos pontos turísticos básicos: parques, restaurantes, Sea Harbor Drive, International Drive etc., você estará seguro.
 
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Conhecendo personagens!

 

– Além dos meios citados, vocês chegaram a utilizar algum outro? Poderiam descrevê-lo e como foi a experiência?
Usamos o transporte pago da Legoland. É um ônibus normal, como os que temos em rodoviárias. O valor é dez dólares e ele te leva e traz do parque, o ponto de partida e chegada é no Outlet da Vineland, no qual é possível chegar com o 08 ou o I-Ride Trolley. Apenas não recomendo o parque.
 
4. Planejamento e parques
– Você diria que utilizar os meios disponíveis atrasou alguma programação que havia sido feita? 
Não, nós aproveitamos muito bem os parques. Na parte da manhã os ônibus atendiam bem, a espera era de, geralmente, quinze minutos a meia hora, o que é aceitável (ou melhor, apenas estamos acostumados, não é muito diferente daqui) e não nos incomodou. O problema de espera ocorre mesmo durante a noite. 
 
– Havia um método de saber que horas os ônibus passavam ou era preciso esperar no ponto até que um passasse?
Há aplicativos para smartfones no caso do I-Ride Trolley com os horários. No caso do Lynx, há livretos gratuitos disponíveis dentro das linhas com itinerários e horários, mas eles nem sempre estavam corretos. Por exemplo, no livreto do 08 o último horário listado era às 20:30, o que nos confundiu e nos fez um pegar táxi no segundo dia. Na realidade, o último 08 passa na Sea Harbor Drive mais ou menos meia-noite.
 
– Os ônibus deixam vocês dentro dos parques? Como era pegá-los na saída? No caso de ônibus do hotel, havia sinalizações indicando qual era o seu?
Duas linhas que serviam para nós entravam dentro dos parques: a 50, que entrava na Disney, mais especificamente no Magic Kingdom (onde você apanha o Ferry Boat ou o Monorail para os parques). Se você não quisesse ir para o Magic Kingdom ou para o Epcot, poderia descer com a mesma linha um pouco antes, na Downtown Disney, e pegar um dos transportes gratuitos da Disney. No caso da Universal, o 37 entra no parque, ali quase na entrada mesmo, no mesmo lugar onde se pegam os táxis. 
Bem, já narrei minha aventura no dia do Epcot! (risos) Mas tirando o que eu disse lá, era tranquilo. Como você pega os ônibus dentro dos parques na volta, você se sente seguro. É só ter paciência e esperar.
Não usei o ônibus do hotel.

 

DSC03041Os ônibus existem em diversas cores! 

 

5. Classificação e estrelinhas
– Você poderia classificar os meios de transporte utilizados de 1-5, com um breve comentário? (sendo 1 a menor nota e 5 a maior). 
Acho que dou 3 estrelinhas para o transporte público de Orlando. Os ônibus são confortáveis e há várias paradas, mas são poucas linhas, poucos carros em horários críticos, o transfer não atende a todas as necessidades e a passagem é extremamente cara. Novamente, a gente tem que converter o valor: 2 dólares corresponde a cerca de 5 reais e pagar 5 reais em um ônibus é um completo absurdo – na nossa realidade, ao menos.
 
– No geral, como foi a experiência de viver sem carro na cidade de Orlando? 
Foi como viver sem carro no Brasil? Sei lá, eu não sei como é viver com carro há tantos anos que até já me esqueci. E estou muito acostumada a viver sem ele, portanto, foi uma experiência normal, corriqueira. Apenas senti uma falta IMENSA de andar de bicicleta. Não há aluguel de bikes em Orlando (ao menos, não na área da International Drive e parques; na internet descobrimos que há um aluguel na Disney, mas não é nos parques, provavelmente é mais voltado aos hóspedes dos hotéis); provavelmente há aluguéis no centro da cidade, mas não tivemos oportunidade de visitá-lo. Além disso, é muito difícil andar de bicicleta por lá, as ruas não são preparadas. Há “ciclofaixas” em algumas vias que fazem as ciclofaixas de São Paulo parecerem o paraíso cheio de querubins. Ciclovia? Faz-me rir. Vimos vários ciclistas se arriscando nas ruas ou andando nas calçadas (nem sempre em uma velocidade aceitável para uma calçada). Ok, as calçadas são largas, mas eu quase fui atropelada por um ciclista que estava no celular. Com ruas e calçadas tão largas, Orlando bem que poderia investir em ciclovias.
 
– Você voltaria a cidade da magia sem carro ou optaria por ir com alguém que dirigi, ou até mesmo tirar carta?
Ah, se eu ou meu marido tiver carta quando voltar lá ou se estiver com alguém que dirija, sim, eu usaria carro. Mas isso não é um imperativo para nós: se precisarmos voltar lá utilizando transporte público, voltaremos com certeza. Não vou tirar carta por causa de Orlando e não vou viajar junto com outras pessoas só pelo carro. É importante ressaltar que Orlando é possível sem carro e que, se você não quiser ou não puder usar carro, não precisa cancelar ou adiar seu sonho. Vá de ônibus e seja feliz.
 
– Há algo válido que ache válido acrescentar e ressaltar para quem está planejando uma viagem sem carro?
Primeiro: pesquise. Pesquise muito, o máximo que puder. Imprima itinerários e leve com você, isso deixará você e sua viagem mais segura. Leve dinheiro trocado, sempre; não se esqueça disso. E não tenha vergonha de perguntar quantas vezes seja necessário. É importante também que você saiba falar inglês ou vá com alguém que saiba; nós falamos MUITO em inglês no ônibus, seja com motoristas ou residentes, é essencial para que você não se perca e não passe vergonha. 
Bem, espero que minha experiência tenha sido útil. Boa viagem! 😉