As pessoas e a espera.

People wait
E não é verdade?
 
Somos basicamente doutrinados a esperar. Crianças querendo ser adolescentes, adolescentes sonhando com a vida adulta, adultos em busca de sucesso profissional, profissionais de sucesso nunca satisfeitos com o valor da conta bancária, idosos relembrando nostalgicamente sobre o quão deveriam ter apoveitado mais seus dias.  
 
Vivemos ansiosos. 
 
Ansiosos pela compra de um carro, pela aquisição da casa própria, pela próxima coleção de sapatos que não podemos deixar de ter, por uma combinação de ações que nos fará milionários, pela próxima promoção no trabalho.
 
Veja bem, não estou menosprezando os objetivos, as metas. Muito pelo contrário, pois acho que elas são essenciais aos seres humanos. Precisamos de algo a alcançar, que nos leve adiante, nos motive. É desafiador e delicioso nos superar e nos ver crescer. É incrivelmente gratificante conquistar algo com o próprio esforço e suor. E, bem, é desinteressante viver sem vontades, sem algo a nos reger.
 
Todavia, o quão nos tornamos cegos por causa daquilo que nos leva adiante?
 
Quem aqui não passou os 5 dias úteis da semana sem quase notar o que ocorria ao seu redor, contando as horas, mal aproveitando o tempo, apenas desejando que sexta-feira chegasse logo para que a cama pudesse ser a melhor amiga e programas mais livres preenchessem seu dia? Quem aqui não menospreza a praça no meio do caminho do trabalho para casa e mal para um minuto do dia, enquanto espera o ônibus, para observar o pé de amoras que insiste em manchar todo mundo de roxo quando o vento vem? Quem nota uma criança dançarina no metrô entendendo que ela acha que está em um musical da Disney ou acha graça no cachorrinho danado e preguiçoso que atravessa a rua no meio da noite acreditando que é o dono da festa?
 
aada
É um fato. Somos engolidos pelas metas, pelos curto prazo e nos tornamos quase insensíveis ao brilho do dia-a-dia. Quase como se não nos permitíssemos ser felizes até finalizar aquilo – ou tudo aquilo – que queremos. E entramos no ciclo sem fim ~ouça a música do Rei Leão aqui~ de não enxergar o que já fizemos e o que nos cerca. 
 
Não estou pedindo pelo mundo “Imagine” que John Lennon tanto cantou. A utopia aqui seria quase hipócrita. Só estou divagando sobre a possibilidade de tirarmos nossos óculos escuros e aproveitarmos o sol com mais carinho. 
 
Obviamente que sempre iremos gostar mais de um dia na praia do que um dia cheio de trabalho e que iremos preferir uma roda de amigos a uma mesa de reunião recheada em uma discussão acalorada. Não poderemos abrir mão do relógio de segunda a sexta ou amar o cobertor por mais tempo todos os dias, conforme gostaríamos.
Entretanto, podemos abrir os braços e perceber os presentes diários que recebemos. Ser gratos por nossas pequenas dádivas. Nossos prazeres que não tem prazos, que só aparecem. Aqueles que recheam nosso coração com calor sem esforço e forma tão simples.  
 
São estes que se somam aos montes e que fazem com que tenhamos fôlego e consigamos atingir as alegrias das maiores conquistas e das celebrações que nos sugaram mais tempo, espírito e bom humor. 
 
Muitas vezes não teremos tempo, muitas outras vamos esquecer e de vez em quando vamos repetir a nós mesmos que tudo isso é uma grande bobagem e perda de tempo. Afinal, é fácil voltar a hábitos ruins, a concha fechada e abafada. 
 
Então, lembra-se de sempre se permitir. Ficar mais leve, menos engessado, mais contente com “estupidez”. 
 
Recheie-se. De pequenos momentos e pequenas alegrias. E seja grato não somente pelas grandes vitórias, mas por todas, até as que não percebemos normalmnte. 
 
Assim, talvez, percamos o hábito de esperar. E passemos a perceber o quanto já estamos caminhando, sem a necessidade de correr toda hora. 
 
 
 ~~Para se inspirar: 
 
GOOD OLD DAYS – Pink

FLÁVIA CALINA – a pessoa mais iluminada e alto astral que já encontrei na vida.