Resenha: Amy Exemplar, um óbvio não tão óbvio assim!

Amy e Nick Dunne são casados. Amy é uma espécie de sub-celebridade que carrega nas costas o sucesso de uma coleção de livros publicada por seus pais – um casal perfeito – que leva seu nome: “Amy Exemplar” e foi um absoluto estouro na década passada. Nick é um caipira do Missouri que mora em Nova York. A vida e o romance são lindos até que desventuras imprevistas os levam de volta a terra Natal de Nick. Tudo está indo de mal a pior quando um dia, sem explicações, Amy desaparece de casa.

E então começa o mistério.
AMY EXEMPLAR é trabalhado em duas primeiras pessoas. Temos Amy em seu diário narrando o passado e Nick em sua mente acompanhando toda a loucura do cenário de ter a mulher desaparecida. É uma construção interessante e que nos instiga a continuar a leitura, principalmente por que temos em mãos uma discrepância cada vez mais crescente de pontos de vista. É difícil saber quem esta mentindo e quem esta falando a verdade, onde estão os pontos soltos e em quem acreditar. Ao mesmo tempo em que a autora faz com que nos afeiçoemos aos personagens, faz também com que não estejamos dispostos a colocar a mão no fogo por eles.

 

Confesso que adivinhei – ou ao menos já desconfiava muito – da primeira reviravolta (e da segunda). Mas isso não estraga a narrativa, por que o que cativa aqui são as mentes perturbadas de seus personagens, seus pensamentos e (des)sinceridades que nos fazem enxergar seres humanos reais, mesmo que assustadores. Neste romance, Gillian Flynn cria personagens profundos e reais (o que em alguns momentos me lembrou morte Súbita, de JK Rowling).

 

É verdade que a leitura se torna um pouco truncada em alguns momentos e que há algumas descrições e “enrolamentos” desnecessárias, mas isso não chega a atrapalhar – mesmo que seja preciso trabalhar um pouco a força de vontade de vez em quando – porque continuamos interessados e a escrita de Gillian é gostosa, do tipo que te abraça.

 

Já o final – ah, o final! – ele pode ser a parte mais dura.

 

Obviamente não contarei spoilers aqui, mas digo que assim que terminei fiquei com raiva. Muita raiva. Aquela do tipo: ” JURA?”. Amaldiçoei o livro e esqueci o que tinha achado de bom nele. Mas depois compreendi que ele precisava ser digerido! Aquele tipo de desfecho que desce lentamente e pode entalar na gaarganta, mas que quando você aceita, enxerga que não havia opção melhor, mais bem encaixado.

 

O final são as palmas lentas, por que é definitivamente aquilo que você nao espera e que só ver chegar nos 5 minutos finais do segundo tempo.

 

Há rumores de que o livro vai virar filme! E estou bastante curiosa sobre como eles irão adaptar essa narração dupla de força que dê vontade de roer os dedos também. A atriz especulada é a Resse Whiterspoon e estou torcendo para que seja mesmo, pois a enxergo como uma Amy Exemplar! ;D